Antonio Guerreiro

Antonio Guerreiro poderia muito bem ter feito o papel de David Hemmings, o fotógrafo perseguido por beldades no filme “Blow-up” de Michelangelo Antonioni.

Nas décadas de 70 e 80 foi o fotógrafo mais famoso e requisitado do Brasil. Não houve uma beldade do país que não tenha posado para suas lentes. Algumas delas chegaram a se casar ou namorar com ele, como Sônia Braga, Sandra Bréa e Bruna Lombardi.

Guerreiro nasceu em Madrid em 1947, filho de um industrial português, mudou-se para o Brasil com a família, quando tinha 5 anos de idade. Aos 18 anos, quando frequentava a faculdade de economia, fotografou uma namorada baiana com uma câmera Rolleyflex. Depois disso, o país perdeu um promissor economista, mas em compensação, ganhou um dos seus mais geniais fotógrafos.

Seu trabalho com o jornalista Daniel Mas, no jornal Correio da Manhã, chamou atenção do fotógrafo David Drew Zingg, que convocou-os para trabalhar na “Setenta”, da Editora Abril, revista que marcou o nascimento da fotografia de moda brasileira. Em 1970, Guerreiro recebeu um convite de Adolfo Bloch, dono da Manchete, para ser correspondente da revista em Paris, onde trabalhou por dois anos, fotografando as coleções dos principais estilistas franceses.

Ao voltar para o Brasil, coloca em prática tudo que aprendeu na Europa e abre o Zoom, um dos estudios mais modernos do pais, no Rio de Janeiro, ao lado TV Globo. O estúdio enfilerou mais 70 capas de discos, com Guerreiro assinando capas icônicas de grandes nomes da música popular brasileira, como a clássica “Índia”, de Gal Costa, censurada pela ditadura militar. O estúdio tornou-se centro de gravitação das agências de publicidade, gravadoras e revistas de moda, como a Vogue.

Em 1975 inaugurou o Studium, no bairro do Catete, onde passou a fotografar nus, tornando-se o principal fotógrafo da Playboy. Guerreiro sempre buscou obsessivamente a beleza. “A preocupação era deixar a mulher bonita… E não havia Photoshop. Havia recursos de iluminação, direção, maquiagem, produção, lentes e filtros”.

Segundo Ronaldo Bressane, da Revista Trip “Seu arquivo é fundamental para entender a memória cultural do país. Guerreiro foi tanto testemunha, quanto personagem da história”.